Prefeitura do Rio propõe financiamento privado para escolas de samba


 

Depois de reduzir de R$ 2 milhes para R$ 1 milho o repasse s escolas de samba do Grupo Especial, levando-as a se recusar a pisar na Sapuca no carnaval do ano que vem, a prefeitura do Rio anunciou que estuda a criao de um modelo de financiamento privado para as agremiaes, como feito com os desfiles dos blocos de rua.

 

A ideia seria criar regras para que empresas patrocinem as agremiaes. Neste sbado (17/6), no perodo da tarde, integrantes de escolas faro um protesto ao som de samba em frente prefeitura, com caminhada at o sambdromo.

 

Na ausncia do prefeito, Marcelo Crivella (PRB), que cancelou uma reunio que teria com a Liga Independente das Escolas de samba (Liesa) esta semana (pouco antes do horrio combinado, segundo dirigentes), e viajou para um evento sobre ciclismo na Holanda, a Riotur se manifestou sobre o imbrglio na sexta-feira (16/6), garantindo que “no existe motivo para polmica”.

 

Leia mais notcias em Brasil 

 

Em nota, o rgo municipal, responsvel pela realizao dos desfiles, informou que “j estuda o desenvolvimento de mecanismos para que sejam captados investimentos da iniciativa privada”, e que poder lanar um caderno de encargos para as empresas – documento com as diretrizes que devem ser seguidas pelos patrocinadores e suas contrapartidas.

 

“O carnaval do Rio est garantido. E vai continuar sendo o maior espetculo do planeta”, diz o comunicado. A alegao do prefeito que os R$ 13 milhes que iriam para as escolas (R$ 1 milho para cada) ser agora destinado a creches municipais. A nota da Riotur diz que “diante da crise, deve-se priorizar o que essencial, e, nesse momento, aplicar recursos na educao e na alimentao das crianas nas creches primordial”.

 

 

O argumento considerado demaggico por integrantes de escolas ouvidos pela reportagem do Estado. Eles acreditam que o comportamento do prefeito est contaminado pelo fato de ele ser bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que repudia o carnaval. “Opor carnaval e creche demagogia total”, critica o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira.

 

“O prefeito tem extrema m vontade com o carnaval. No visitou a Cidade do Samba (onde ficam os barraces), no entregou as chaves da cidade ao Rei Momo, no foi aos desfiles. Ele representa a ideologia evanglica. Carnaval no gera despesa para os cofres pblicos, e sim receita”.

 

A soma da subveno da prefeitura, dos valores recebidos da TV Globo pelos direitos de transmisso dos desfiles e da venda de ingressos da Sapuca d cerca de R$ 5 milhes para cada escola. Por conta da crise, as agremiaes perderam nos ltimos anos verbas do governo do Estado e da Petrobrs e patrocnios de empresas, de modo que a reduo do subsdio do municpio ter grande impacto na produo do carnaval, argumentam.

 

Traio

 

Dirigentes se sentem trados por Crivella, que contou com o apoio deles na campanha do ano passado, inclusive com pedidos de votos nas quadras, e alegam que a festa atraiu mais de 1 milho de turistas este ano, e movimentou a economia em R$ 3 bilhes.

 

“O discurso do prefeito no tem cabimento, carnaval cultura, educao educao. uma decepo, vai afetar diretamente 10 mil empregos diretos e indiretos. Quero ouvir isso dele”, disse o presidente da Mangueira, Chiquinho da Mangueira. “No um prefeito ligado ao carnaval. As escolas so cobradas cada vez mais, no podem retroagir. preciso dialogar”, opinou Junior Schall, ex-diretor da Vila Isabel, hoje na Vai-Vai.

 

“O prefeito prometeu que no ia mexer na subveno e ainda ia ajudar mais; por exemplo, com o fim da cobrana do Imposto Sobre Servios das escolas. Ele no tem a dimenso da importncia dos desfiles. Os barraces empregam funcionrios o ano inteiro, so 40 pessoas por uns 9 meses e 300 perto do carnaval”, afirmou o diretor de carnaval da Grande Rio, Dudu Azevedo.

 

Para a pesquisadora de carnaval Rachel Valena, integrante da Velha Guarda do Imprio Serrano, Crivella erra no ao reduzir o repasse, e sim por no aproveitar o momento para cobrar transparncia das escolas nas prestaes de contas prefeitura. Ela no acredita que os patrocnios privados sejam a soluo. “At hoje as empresas s procuraram as escolas para serem enredo No acredito em patrocnio desinteressado.”

Fonte da Notícia.